Foto: Adriano Rosa
Violeiro apresenta o espetáculo ‘Amanaci’, uma ode à chuva, no dia 14 de março
O show “Amanaci”, do violeiro, cantor, compositor e artesão de instrumentos Levi Ramiro, retrata as canções reflexivas do álbum homônimo com participações especiais. Reunirá Levi e suas violas feitas de cabaça com Carlinhos Ferreira (percussão e efeitos); Rafael Schimidt (violão), Edu Guimarães (sanfona) e as vozes de Manu Saggioro e Daísa Munhoz.
Considerado um dos maiores nomes da música rural brasileira em atividade, o artista chega ao seu décimo quarto álbum autoral, o primeiro em vinil, e soma em sua trajetória diversos prêmios e apresentações em todo o Brasil, América Latina, Europa e Estados Unidos.
Nesta entrevista exclusiva para o Portal Festanejo, Levi Ramiro fala sobre seu início de carreira, sua escolha em gravar as músicas em vinil e sua visão naturalista de mundo.

Como foi seu início na música rural?
Comecei tocando violão popular em festivais, bares e restaurantes. Adotei a viola a partir do começo da década de 90, o que ampliou minha produção musical e caminhos com a música. Gravei meu primeiro álbum em 1997, o Maracanãs, com músicas instrumentais e algumas canções já com temas regionais, caipiras.
Como seu estilo se encaixa no mundo sertanejo? Quem te inspirou?
Não tenho um estilo definido, minhas referências são muitas. Vão de representantes de diferentes sertões. Sou filho de mãe nordestina vinda de Alagoas, e pai filho de português. Minhas inspirações são de compositores e compositoras de um Brasil profundo como João Bá, Dércio Marques, Doroty Marques e na música caipira muitas referências que tinham a viola como instrumento principal, Bambino, Adauto Santos, Renato Andrade…
E está escolha de gravar em vinil? Como teve a ideia?
Um desejo antigo, já que quando comecei gravar, o vinil saia de cena e entrava a mídia do CD. Agora com essa “volta” do vinil e o fato de sempre gostar de ouvir o som analógico veio essa ideia.
Qual é o ganho de ouvir vinil ao invés da gravação digital?
Não sou especialista, mas, na verdade, não existe ganho nem vantagem. O vinil aliás, tem limitações de graves, agudos e outras questões que trazem um som mais orgânico, com curvas e ruídos naturais, uma percepção mais fina nas dinâmicas das melodias.
Em um mercado bastante difícil e com muitos artistas disputando o sucesso, qual é o seu planejamento para conquistar um público cada vez maior?
Não faço nada pensando em sucesso, não me preocupo com a questão de mercado. Sei que tenho que pagar as minhas contas, mas prefiro confiar no amor pela arte e pela vida pra resolver isso. Meu planejamento é seguir fiel ao meu propósito.
Com quem você gostaria um dia fazer um feat?
Nem sei o que é”feat”, nem quero saber. Se for amizade musical, se for sincero encontro, que seja com pessoas que amam e respeitam o fato de sermos pertencentes a este planeta e de que não estamos acima de nada nem de ninguém.
Quais seus planos para este 2026?
Resolver uns probleminhas de saúde, comemorar os 60 janeiros de idade e lutar com minha arte para um mundo mais justo e solidário, menos ganância, mais amor e paz.



