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Dupla sertaneja e a parceria

Exclusiva: Marcos & Mancini unem sertanejo e batidas eletrônicas

Foto: Divulgação

Dupla revela os bastidores da parceria com DJ Prodígio e antecipa nova versão de “Fusquinha do Papai”

Clássicos como “Fio de Cabelo”, “Pinga Ni Mim” e “60 Dias Apaixonado” ganham batidas eletrônicas nas vozes de Marcos & Mancini, em parceria com o DJ Prodígio. Em entrevista ao Festanejo, os sertanejos contam os desafios dessa mistura, revelam memórias ligadas ao repertório e celebram a repercussão de “Eu Vou Moer no Barretão”.

Com mais de 20 anos de carreira, a dupla também antecipa uma novidade: “Fusquinha do Papai” terá uma versão no novo estilo. Confira a conversa com Marcos & Mancini!

Antes deste projeto, que lugar “Fio de Cabelo”, “Pinga Ni Mim” e “60 Dias Apaixonado” ocupavam na história de vocês? Alguma dessas músicas marcou o início da dupla ou um momento pessoal?

Essas músicas sempre estiveram no repertório de Marcos & Mancini. Claro, de um jeito diferente, no sertanejo tradicional, mas elas nos acompanham desde o começo da carreira. Pelo menos uma delas está em todos os nossos shows: ‘Fio de Cabelo’, ’60 Dias Apaixonado’ ou ‘Pinga Ni Mim’, que é uma música mais alegre e contagiante. Elas sempre estiveram presentes e, agora, voltam com uma roupagem diferente e mais trabalhada, mas sem perder o espaço que sempre tiveram.

Sobre ‘Fio de Cabelo’, por exemplo, lembro do meu avô cantando junto nas rodas de violeiros. Ele também cantava ’60 Dias Apaixonado’, uma música muito especial até por ter sido composta por um conhecido nosso, o Constantino, lá de Fernandópolis. Já ‘Pinga Ni Mim’, de Teodoro & Sampaio, traz aquele lado mais bem-humorado que a gente adora ouvir e cantar. De modo geral, essas canções sempre estiveram presentes em nossos shows.

Quando surgiu o convite para unir o sertanejo à música eletrônica do DJ Prodígio, qual foi a primeira reação de cada um? Vocês tiveram algum receio sobre como o público receberia essa mistura?

O convite veio por meio de uma grande amiga e assessora nossa, a Márcia Araújo, da Giro das Estrelas Assessoria, junto com o Everardo Rodrigues (‘Chico’), que é o compositor da música.

No começo, ficamos meio receosos, sim, porque o nosso público é mais maduro, uma turma de 30, 40, 50, 60 anos… Mas, quando a Márcia nos enviou ‘Eu Vou Moer no Barretão’ e eu ouvi o arranjo, disse na hora: ‘Essa música é sucesso!’. E ela nem tinha falado ainda que era para a gente gravar! Quando perguntou se queríamos participar, aceitamos na hora.

O DJ Prodígio acertou demais no arranjo. Não ficou um funk ou algo pesado; ficou aquele ‘batidão’ sertanejo perfeito. Ficou excelente, gostamos demais e acreditamos muito nesse projeto!

No início, até brincamos: ‘Acho que isso aí não é para nós, não!’. Mas assim que ouvimos o arranjo pronto, percebemos que ficou equilibrado. A partir dali, aceitamos o convite com o maior carinho, e o resultado está sendo incrível tanto para a dupla quanto para o DJ Prodígio e para todos os envolvidos!

O que vocês fizeram questão de preservar na interpretação dos clássicos? Houve alguma proposta de arranjo que precisou mudar para manter a identidade da dupla?

Foi bem diferente, porque o andamento da música, a batida e o compasso mudaram. Tivemos que estudar antes para conseguir pegar o tempo certinho. Recebemos uma voz-guia e tentamos sair um pouco dela para colocar a identidade de Marcos & Mancini. A voz do Marcos é a primeira voz, bem predominante, mantendo o estilo dele. Na hora de colocar a voz no estúdio, o pessoal queria que fôssemos mais em cima da voz-guia, mas a gente insistia: ‘Não, faz do seu jeito mesmo, que é mais sertanejo’. Então, tentamos dar uma ‘sertanejada’ na interpretação do batidão do DJ Prodígio para fazer bem a nossa cara e encaixar legal na batida.

Qual faixa mais desafiou vocês no estúdio? Contém uma passagem da gravação que mostre o trabalho por trás da versão que chegou ao público.

A música mais difícil com certeza foi ’60 Dias Apaixonado’. No original, ela tem um compasso em 3/4, mas o Prodígio criou a nossa versão em 4/4. Encaixar as palavras e a métrica de uma faixa 3/4 em um compasso 4/4 foi um desafio gigantesco! Exigiu muito treino e o apoio da tecnologia, que nos permitiu voltar e repetir quantas vezes fossem necessárias até atingir o resultado final.

É um descompasso que os músicos vão entender: colocar a voz de um compasso 3/4 em um compasso 4/4 é totalmente diferente e complicado, mas deu certo. Com treino, paciência e com a ajuda do nosso diretor Chico Rodrigues, o resultado ficou excelente!

Como “Eu Vou Moer no Barretão” chegou até vocês e o que chamou a atenção na composição de Everardo Rodrigues? A música passou por mudanças depois que começaram a cantá-la?

A música chegou até nós já pronta, com a voz-guia produzida e tudo arranjado. Só faltavam os intérpretes. Foi quando a nossa amiga Márcia Araújo mandou o material para a gente e eu disse: ‘Nossa, essa música é sucesso!’. Daí ela perguntou: ‘Vocês não querem fazer parte do projeto e gravar?’. Eu respondi: ‘Mas Márcia, nós somos sertanejos’. E ela: ‘Não, mas é um batidão bem sertanejo mesmo’. E realmente foi isso.

O que nos chamou a atenção na composição foi ser uma música muito fácil e chiclete. O refrão ‘Eu vou moer no Barretão, na festa de peão’ é muito marcante. Eu ouvi duas vezes e já fiquei cantando. Passei para o Marcos e ele já aprendeu. A minha filha ouviu duas vezes em casa e decorou. O ponto forte foi realmente o refrão, por ser marcante e fácil de aprender.

A faixa foi executada na abertura da montaria em touros de Barretos. Como vocês souberam e o que esse momento representou na trajetória da dupla? Qual era a relação de vocês com a festa até então?

Nós estávamos viajando para um show na região de Fernandópolis. Durante a apresentação, o telefone não parava de tocar; era a Márcia ligando. Quando atendi, ela nos contou a novidade. Foi emocionante demais! Ao mesmo tempo, vários amigos começaram a mandar mensagens no WhatsApp dizendo que a música estava tocando em Barretos, enviando vídeos e links do YouTube. Quem estava assistindo ao rodeio nos avisou na hora. Foi uma alegria imensa!

Além disso, o DJ Prodígio fez um vídeo animado em que a estátua do Jeromão dançava ‘Eu Vou Moer no Barretão’. O Kaká de Barretos, vice-presidente da Festa do Peão, repostou o vídeo, e logo começaram a surgir diversos vídeos de crianças e influenciadores cantando. Até tomamos uma para comemorar (risos)!

Barretos é a maior festa de peão da América Latina e está entre as maiores do mundo. Ter a nossa música tocando lá é algo grandioso, fruto de muito trabalho — principalmente da Márcia Araújo, do Chico Rodrigues (Giro das Estrelas) e do Paulo Gomes (BGK Fonográfica), a quem agradecemos muito por nos ajudar a fazer a música chegar até lá. Agradecemos também aos DJs de Barretos, como o DJ PH, que gostou da faixa e a tocou, ao DJ Caruso, à Atração Fonográfica e a todos que acreditaram no projeto. Sem contar as rádios que continuam tocando a música; em breve faremos o famoso ‘pé na estrada’ para visitá-las.

Fizemos duas versões dessa música: ‘Eu Vou Moer no Barretão’ e ‘Eu Vou Moer no Paredão’. Pensamos nessa adaptação porque, após o evento de Barretos, a versão ‘Paredão’ continua tocando forte nos eventos automotivos.

“Fusquinha do Papai” levou o nome de Marcos & Mancini à novela Balacobaco. O que aquela exposição ensinou sobre transformar uma música conhecida em interesse pelo trabalho da dupla? Como essa experiência ajuda nesta nova fase?

Foi uma experiência incrível. Mais uma vez, a Márcia Araújo levou a música ao saudoso Paulo Fedato, que era o diretor musical da Record na época. Ele gostou muito e a incluiu na trilha sonora da novela Balacobaco. Isso nos abriu portas gigantescas: nos apresentamos nos maiores programas da TV nacional, como o Programa do Ratinho, o Programa do Gugu (com Gilberto Barros) e em um especial de Ano-Novo do Domingo Espetacular. Até hoje, mais de uma década depois, ‘Fusquinha do Papai’ é lembrada com carinho e continua tocando pelo Brasil. Inclusive, adiantando em primeira mão ao portal Festanejo, vem aí uma versão eletrônica de ‘Fusquinha do Papai’ em parceria com o DJ Prodígio!

Essa vivência nos ensinou uma lição valiosa: ter um hit em uma novela ou estourar uma música não garante o sucesso duradouro por si só. Uma música forte atrai os holofotes, mas, para transformar essa atenção em uma carreira sustentável, engrenagens complexas precisam rodar juntas nos bastidores — uma estrutura sólida de escritório, planejamento de rádio, equipe alinhada e divulgação constante.

Naquela época, se tivéssemos a estrutura atual, talvez tivéssemos ido ainda mais longe. Mas tudo acontece no tempo de Deus. Hoje, encaramos esta nova fase com muito mais maturidade: sabemos exatamente a importância de unir uma grande música a uma gestão forte para construir uma história sólida.

A música chegou a quase 5 milhões de acessos no YouTube e nas plataformas digitais, sendo até hoje a nossa faixa com melhores resultados na internet. Não podemos deixar o novo projeto estagnar; por isso, estamos montando uma estratégia completa de acompanhamento.

Vocês já apresentaram as novas versões ao vivo? Qual reação mais chamou a atenção, especialmente entre quem conhece os clássicos nas gravações originais?

Por incrível que pareça, ainda não apresentamos estas novas versões ao vivo. Já cantamos essas músicas em nossos shows, mas nos arranjos anteriores; com o novo ‘batidão’, ainda não.

Trata-se de um projeto recente, do Remix Sertanejo do Paulo Gomes, gravado e lançado há cerca de dois meses. Atualmente, estamos formatando um show em conjunto com o DJ Prodígio: a nossa apresentação, o show dele e o momento em que nos unimos no palco para apresentar essas canções com a nova roupagem.

No mês passado, fizemos um show de rádio em Limeira onde apresentamos algumas faixas, e a receptividade do público foi excelente. Cantamos juntos com o DJ Prodígio, o público se animou, dançou e elogiou bastante o resultado. Isso é muito importante para nós.

Marcos e Mancini têm gostos parecidos quando o assunto é repertório? Cada um consegue citar uma música que defendeu para este projeto e contar como convenceu o parceiro?

Nós temos gostos muito parecidos e somos bem democráticos quanto ao repertório. O que um sente no coração, o outro respeita. Se um diz ‘gostei desta música’, mesmo que o outro não se empolgue tanto de início, a gente grava.

Às vezes, o sucesso passa na nossa frente e não percebemos, mas o parceiro enxerga. De tanto um acreditar e insistir, o outro acaba abraçando a ideia. No final, quem decide é o público.

Somos bem ecléticos. Não gravamos músicas que façam apologia a coisas erradas, que sejam inadequadas para crianças ou que contenham vulgaridades. Quando gravamos algo de duplo sentido, é aquele duplo sentido ingênuo e bem-humorado que o povo usa no dia a dia. Quanto a isso, nossa sintonia é total.

Depois dessa experiência, que caminho vocês desejam seguir nos próximos lançamentos?

Queremos manter a identidade da dupla e a linha de repertório que sempre gostamos de gravar, atingindo todos os públicos. Além disso, pretendemos incorporar novos projetos em parceria, como esse com o DJ Prodígio. Não hesitamos em arriscar: pode vir parceria com rock, axé ou outros estilos. Vamos continuar mantendo o nome e a marca que construímos até aqui, sempre abertos a novas misturas.

Há alguma composição própria, parceria ou plano de palco que já possam antecipar aos leitores do Portal Festanejo?

Temos a nossa composição ‘Fusquinha do Papai’ e também ‘Saudade de Você’, que foi regravada por Conrado & Aleksandro, além de várias outras canções gravadas por parceiros.

No momento, o foco principal está no novo projeto, com novo escritório e novo material audiovisual. Nosso objetivo é focar bastante em shows de prefeitura, oferecendo uma apresentação acessível e de valor justo para os contratantes. Queremos entregar um espetáculo bonito e de qualidade para toda a população.

Poderiam enviar uma mensagem para os fãs?

Queremos agradecer do fundo do coração a todo o público que acompanha Marcos & Mancini ao longo desses mais de 20 anos de carreira. Se não fossem vocês, não estaríamos aqui. Agradecemos também aos contratantes, aos divulgadores, aos influenciadores e aos radialistas — ressaltando que damos um valor enorme ao rádio, que é fundamental para a carreira de qualquer artista. Vocês fazem tudo acontecer!

Muito obrigado também ao Portal Festanejo por esta oportunidade e pela matéria exclusiva. Um beijo a todos e sigam a gente nas redes sociais: @marcosemancini

Ouça aqui

Tags: Destaques | Dupla sertaneja | sertanejos
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