SEMANA DO VIOLEIRO – Entrevista com Lorranna Caixeta

Radialista divulga a música caipira e de viola e dá dicas para quem quer conhecer melhor os cantores da área

Dia 18 de maio é comemorado, em todo o Brasil, o Dia do Violeiro. Aqui no Festanejo, valorizamos as raízes da música sertaneja, para que todos entendam essa linda história que vem desde o descobrimento do Brasil, quando os portugueses trouxeram a viola para cá.

Os jesuítas aproveitaram esses instrumentos para cantar músicas para os índios. Por isso, a tradição da viola nas romarias até hoje. Fomos conversar com a Lorranna Caixeta, radialista do interior de Minas gerais, da cidade de Machado Mineiro. Jovem e amante da música caipira, logo terá seu próprio canal no YouTube para esse trabalho que vem fazendo há anos.

Sua simplicidade e jeito de falar, como o Chico Bento, terá sempre um canal de divulgação da música raiz aqui em nosso portal. Além disso, pedimos para ela nos passar 10 músicas para quem quer conhecer melhor esse brasilzão sem porteira!

Lorranna você poderia se apresentar para quem ainda não te conhece?

Sou Lorranna Caixeta, radialista. Sou da cidade de Machado, Minas Gerais, defensora da verdadeira música sertaneja.

Como começou a gostar de música caipira?

Comecei a gostar da música caipira por causa da dupla Leôncio e Leonel, e também por causa do meu avô, Joaquim Caixeta, que toda a vida, até hoje, gosta muito da música caipira. Ele diz que eu nasci gostando da música caipira. Mas foi com 6 ou 7 anos que eu me encantei e me apaixonei pela música caipira.

Um dia de manhãzinha, meu avô ligou o rádio e estava tocando Leôncio e Leonel, a música “Pitoco”, de Abílio Victor, NHÔ Bentico e Teddy Vieira. Eu me apaixonei pela música, pela dupla e pelas vozes deles. Eu fiquei uns 3 meses ou mais com essa música na cabeça. Foi por causa dessa dupla que me tornei essa apaixonada pela música Caipira! E continuo aqui, até hoje, defendendo a nossa cultura e a nossa música caipira.

Sua família sempre te incentivou a seguir como radialista? E esse é seu nome mesmo ou nome artístico?

Quem sempre me incentivou e me incentiva até hoje é meu avô, Joaquim Caixeta, minha avó, dona Maria De Lurdes, vou contar ‘pro ceis’ um pouco da minha vida no Rádio… Quando eu estava começando, cheguei a trabalhar numa rádio sem receber um tostão. Ia e ‘vortava’ todo santo dia de pé, não tinha dinheiro para comprar nem um café.

Às vezes, dava vontade de parar, sabe? Mas o amor que eu sentia, e sinto até hoje, pela música caipira e pelos meus ouvintes não deixava desistir. Isso faz nove anos e alguma coisa, ou até mais rs. No momento, estou fora do rádio com o coração apertado.Tem dia que nem o rádio eu ligo de tanta tristeza.

Mas eu sei que com as graças de Deus e Nossa Senhora Aparecida logo estarei de ‘vorta’! Sim esse é o meu nome mesmo, Lorranna Caixeta.

Você é jovem. A maioria dos jovens está mais ligada no sertanejo atual. Como fazê-los se interessarem e conhecerem mais a música caipira?

Então, eu acho que a música caipira não é muito falada e nem muito divulgada na TV e na internet. Em algumas rádios, a música caipira é muito divulgada, massão poucos jovens que gosta do rádio, e os que gostam é para ouvir outras coisas.

O único programa de TV que tem é o “Brasil Caipira”, na TV Brasil, apresentado pelo grande divulgador e defensor da nossa cultura e música caipira, Sr. Luiz Rocha. As duplas que vão ao programa deslancham. Então eu acho que falta é a ‘tar’ da divulgação. Quanto mais a música caipira for divulgada mais agente arrasta ‘pra nois’ essa juventude.

A música caipira tem um bom público nos shows pelo Brasil?

Então, tem um público razoável. Porém, nos festivais estão misturando os estilos, porisso temos que trabalhar em cima da música caipira.

Você tem divulgado várias duplas caipiras. Elas são de todo o Brasil ou tem um núcleo dessas duplas em alguma região do Brasil?

Tenho divulgado muitas duplas caipiras, não especificamente em uma só região.

Qual o futuro que você vê para a música caipira?

Estou vendo que está aumentando bastanteas duplas caipiras. Têm muitos jovens, graças a Deus, defendendo nossa cultura e a nossa música caipira. A nossa cultura e a nossa música caipira dependem desses jovens, por isso temos que apoiá-los. Então, eu vejo um futuro brilhante.

A simplicidade do caipira está bem representada nas letras das músicas. O que mais se fala nessas músicas?

Falam muito sobre a vida do sertanejo, do pé rachado, pessoas simples e sofridas da roça. Falam dos carros de boi, falas sobre a natureza, falam da fé que as pessoas tinham antigamente, falam sobre o amor.

Seu jeitinho de falar é bem parecido com o personagem do Mauricio de Sousa, Chico Bento. Você acha que o personagem representa bem o jeito de ser do caipira?

Sim, o Chico Bento me representa e a todos os caipiras, com certeza. Fala arrastado ‘iguar’ eu. Eu amo o Chico bento!

Fale sobre seu amor pela música raiz.

Para mim é muito difícil falar desse amor que eu sinto pela música caipira. É um amor muito grande, sabe? Que chega a doer o peito. Eu não vivo sem a música caipira. Acordo escutando Leôncio e Leonel  e durmo ouvindo Zilo e Zalo rs.

Se estou triste, coloco Tônico e Tinoco e fico alegre, começo a dançar e me esqueço da tristeza. Então, eu não consigo viver sem ela. Ela é tudo na minha vida!

Pode nos dar um playlist do top 10 da música caipira?

Foi difícil eu escolher, porque todas as músicas caipiras para mim são bonitas.Mas escolhi essas que eu mais gosto. Espero que ‘oceis gosti’!

Vadico e Vidoco – Capacete de Aço

Moreno e Moreninho – Sombrinha de Prata

Vieira e Vieirinha – Crime dos Marimbondos

Raul Torres e Florêncio –Cabocla Bonita

Tonico e Tinoco – Brasil Caboclo

Craveiro e Cravinho – Milagre do Retrato

Mandi e Soracabinha – Sodade do Véio Tempo

Taviano e Tavares – Pequeno Não É Pedaço

Leôncio e Leonel – Pitoco

Zilo e Zalo – Feitiço Espanhol

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